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Questão 26

ENEM 2023 Questão 26

**A escravidão** Esses meninos que aí andam jogando peteca não viram nunca um escravo… Quando crescerem, saberão que já houve no Brasil uma raça triste, votada à escravidão e ao desespero; e verão nos museus a coleção hedionda dos troncos, dos vira-mundos e dos bacalhaus; e terão notícias dos trágicos horrores de uma época maldita: filhos arrancados ao seio das mães, virgens violadas em pranto, homens assados lentamente em fornos de cal, mulheres nuas recebendo na sua mísera nudez desvalida o duplo ultraje das chicotadas e dos olhares do feitor bestial. \[...\] Mas a sua indignação nunca poderá ser tão grande como a daqueles que nasceram e cresceram em pleno horror, no meio desse horrível drama de sangue e lodo, sentindo dentro do ouvido e da alma, numa arrastada e contínua melopeia, o longo gemer da raça mártir — orquestração satânica de todos os soluços, de todas as impressões, de todos os lamentos que a tortura e a injustiça podem arrancar a gargantas humanas.

BILAC, O. Disponível em: www.escritas.org. Acesso em: 29 out. 2021

Publicado em 1902, o texto de Olavo Bilac enfatiza as mazelas da escravidão no Brasil ao

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Resolução

A questão aborda a análise de um texto de Olavo Bilac, publicado em 1902, que reflete sobre as mazelas da escravidão no Brasil. O texto destaca o sofrimento dos escravizados e sugere que, no futuro, as novas gerações só conhecerão a escravidão por meio de museus e relatos, não sentindo a mesma indignação de quem viveu esse período. Para resolver a questão, é necessário compreender o conceito de memória histórica, apagamento das marcas da escravidão e a diferença entre experiência vivida e conhecimento indireto. O raciocínio envolve perceber que Bilac antecipa um futuro em que a escravidão será apenas uma lembrança distante, acessível por objetos e relatos, e que o horror vivido será diluído na memória coletiva, caracterizando o apagamento das marcas profundas desse passado. Assim, a alternativa correta é a C.

Comentários por alternativa

  1. A Descrever de modo impessoal as consequências da exploração racial sobre as gerações futuras.
    A alternativa A está incorreta porque o texto de Bilac não adota um tom impessoal; ele é subjetivo e emotivo, além de não focar nas consequências para as gerações futuras, mas sim na diferença entre quem viveu e quem apenas ouvirá falar da escravidão.
  2. B Contrapor a infância privilegiada das crianças da época à infância violentada das crianças escravizadas.
    A alternativa B está errada pois, embora mencione crianças, o texto não faz uma contraposição direta entre a infância das crianças livres e a das crianças escravizadas, mas sim entre a experiência de quem viveu a escravidão e quem apenas ouvirá falar dela.
  3. C Antecipar o futuro apagamento das marcas da escravidão no contexto social.
    A alternativa C está correta porque Bilac antecipa que, no futuro, a escravidão será lembrada apenas por objetos em museus e relatos, sugerindo que as marcas desse passado serão apagadas do convívio social direto, restando apenas memórias e registros históricos.
  4. D Criticar a atenuação da violência contra os povos escravizados nas memórias retratadas pelos museus.
    A alternativa D está incorreta pois Bilac não critica o modo como os museus retratam a escravidão, mas sim lamenta que as futuras gerações só terão contato indireto com esse passado, sem a mesma intensidade de indignação.
  5. E Imaginar a reação de indiferença de seus contemporâneos com os escravizados libertos.
    A alternativa E está errada porque o texto não sugere indiferença dos contemporâneos de Bilac em relação aos ex-escravizados, mas sim uma diferença entre a indignação de quem viveu a escravidão e a de quem só ouvirá falar dela.

Flashcards

Perguntas pontuais sobre o tema desta questão. Toque no card para virar e use as setas para navegar.

1 / 7
1. O que significa apagamento das marcas da escravidão?
É o processo pelo qual os traumas e consequências da escravidão vão sendo esquecidos ou minimizados na memória coletiva, restando apenas registros indiretos.
2. Qual a importância dos museus na preservação da memória histórica da escravidão?
Museus guardam objetos, documentos e relatos que ajudam a manter viva a lembrança dos horrores e das consequências da escravidão para as gerações futuras.
3. Como Olavo Bilac caracteriza a experiência dos que viveram a escravidão em seu texto?
Ele descreve a experiência como um sofrimento profundo e contínuo, impossível de ser plenamente compreendido por quem não a viveu.
4. O que é memória coletiva?
Memória coletiva é o conjunto de lembranças compartilhadas por um grupo social, que molda sua identidade e compreensão do passado.
5. Por que a experiência direta da escravidão é diferente do conhecimento indireto?
A experiência direta envolve vivências e emoções profundas, enquanto o conhecimento indireto é mediado por relatos e registros, sendo menos intenso e pessoal.
6. Qual a relação entre escravidão e racismo estrutural no Brasil?
A escravidão deixou raízes profundas que se manifestam no racismo estrutural, perpetuando desigualdades e preconceitos até hoje.
7. Por que o texto de Bilac é considerado subjetivo?
Porque utiliza linguagem emotiva e pessoal, expressando sentimentos e indignação diante das injustiças da escravidão.