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Questão 30

ENEM 2018 Questão 30

Eu sobrevivi do nada, do nada Eu não existia Não tinha uma existência Não tinha uma matéria Comecei existir com quinhentos milhões e quinhentos mil anos Logo de uma vez, já velha Eu não nasci criança, nasci já velha Depois é que eu virei criança E agora continuei velha Me transformei novamente numa velha Voltei ao que eu era, uma velha

PATROCÍNIO, S. In: MOSÉ, V. (Org ). **Reino dos bichos e dos animais é meu nome**. Rio de Janeiro: Azougue, 2009

Nesse poema de Stela do Patrocínio, a singularidade da expressão lírica manifesta-se na

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Resolução

A questão aborda a análise de um poema de Stela do Patrocínio, pedindo ao estudante que identifique a característica singular da expressão lírica apresentada. Para resolver, é necessário compreender o conceito de lirismo, as estratégias de construção poética e, especialmente, como o tempo é tratado no texto. O poema desconstrói a linearidade temporal, misturando velhice e infância de modo não convencional, o que desafia a lógica tradicional e a razão. O raciocínio passa por eliminar alternativas que tratam de memória, imagens desconexas, autobiografia ou fantasia, pois nenhuma delas descreve com precisão o efeito central do poema: a transgressão da razão por meio da desconstrução das referências temporais. Assim, a alternativa correta é a E.

Comentários por alternativa

  1. A Representação da infância, redimensionada no resgate da memória.
    A alternativa A está incorreta porque o poema não faz um resgate da memória da infância de forma tradicional; ao contrário, ele subverte a ordem cronológica e não foca no passado infantil como recordação.
  2. B Associação de imagens desconexas, articuladas por uma fala delirante.
    A alternativa B erra ao sugerir que há apenas imagens desconexas e fala delirante; embora o texto seja fragmentado, sua principal característica é a ruptura com a lógica temporal, não apenas a desconexão de imagens.
  3. C Expressão autobiográfica, fundada no relato de experiências de alteridade.
    A alternativa C está equivocada pois o poema não se estrutura como um relato autobiográfico clássico nem enfatiza experiências de alteridade, mas sim uma experiência subjetiva do tempo.
  4. D Incorporação de elementos fantásticos, explicitada por versos incoerentes
    A alternativa D está errada porque, apesar de haver elementos pouco convencionais, não se trata de fantasia ou incoerência, mas de uma construção poética que questiona a ordem temporal.
  5. E Transgressão à razão, ecoada na desconstrução de referências temporais.
    A alternativa E está correta porque identifica o principal recurso do poema: a transgressão à razão, evidenciada pela desconstrução das referências temporais, como a inversão entre infância e velhice e a negação de uma sequência lógica de existência.

Flashcards

Perguntas pontuais sobre o tema desta questão. Toque no card para virar e use as setas para navegar.

1 / 7
1. O que caracteriza a expressão lírica em poesia?
A expressão lírica é marcada pela subjetividade, emoção e foco na interioridade do eu poético.
2. O que significa desconstrução de referências temporais em um texto literário?
É a quebra da linearidade cronológica, misturando passado, presente e futuro de modo não convencional.
3. Como a transgressão à razão pode se manifestar em poemas?
Pode ocorrer por meio de estruturas ilógicas, paradoxos, ou negação de sequências racionais, como no tempo ou na identidade.
4. Qual a diferença entre memória e desconstrução temporal em poesia?
Memória resgata o passado de forma linear, enquanto a desconstrução temporal rompe essa ordem, embaralhando os tempos.
5. O que é alteridade em literatura?
Alteridade é a percepção do outro, a experiência de se colocar no lugar de alguém diferente de si.
6. Por que a fantasia não se aplica ao poema analisado?
Porque o poema não cria um universo fantástico, mas sim questiona a lógica do tempo real, sem elementos sobrenaturais.
7. Como identificar a ruptura da lógica racional em um texto?
Observando incoerências propositais, inversões de ordem e negação de sequências lógicas, como no caso do tempo ou da identidade.