Sobre esses romances, é correto afirmar:

FUVEST 2026 Questão 12

A jornada das mulheres pela igualdade de direitos no Brasil, como em outras partes do mundo, sempre envolveu lutas sociais, políticas e jurídicas, com marcos importantes como a Lei Geral de 1827, que permitiu o acesso das mulheres à educação, e a Constituição de 1934, que garantiu o direito ao voto feminino. A partir da década de 1960, houve avanços significativos, como o Estatuto da Mulher Casada (1962), que eliminou a necessidade de receber autorização do marido para diversas atividades, e, na década de 1970, a Lei do Divórcio (1977) e o fortalecimento dos movimentos feministas. As obras Caminho de pedras, de Rachel de Queiroz, e As meninas, de Lygia Fagundes Telles, discutem questões relativas aos direitos das mulheres e sua relação com a política ao longo do século XX no Brasil.

Sobre esses romances, é correto afirmar:

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Resolução

A questão aborda a representação da luta das mulheres por direitos e emancipação em dois romances brasileiros: 'Caminho de pedras', de Rachel de Queiroz, e 'As meninas', de Lygia Fagundes Telles. Para resolvê-la, é necessário compreender o contexto histórico da luta feminina no século XX, os marcos legais e sociais citados no enunciado, e como esses temas são explorados nas obras literárias. O raciocínio envolve identificar, nas alternativas, elementos que conectam a trajetória das personagens femininas à militância política, à crítica aos padrões sociais e à relação entre o público (política coletiva) e o privado (vida cotidiana). A alternativa correta é a D, pois reconhece que ambos os romances articulam a dimensão coletiva da política (militância, luta contra ditaduras) com a esfera privada, mostrando personagens femininas que desafiam normas sociais e familiares, o que corresponde ao que as obras de Queiroz e Telles propõem. As demais alternativas apresentam erros de interpretação das obras ou atribuem a elas temas e personagens que não correspondem à realidade dos textos.

Comentários por alternativa

  1. A Em Caminho de pedras, Rachel de Queiroz relaciona a luta pelos direitos da mulher à legalização do divórcio no Brasil, enquanto As meninas constitui um libelo pela educação feminina no período final da Era Vargas.

    A alternativa A está incorreta porque 'Caminho de pedras' não tem como foco central a legalização do divórcio, nem 'As meninas' se constitui como um libelo pela educação feminina no final da Era Vargas. Ambas as obras tratam de questões femininas, mas não nesses termos específicos.

  2. B As personagens Angelita, de Caminho de pedras, e Ana Clara, de As meninas, impactam a vida dos protagonistas de seus romances e representam a transformação da condição social das mulheres ao romperem com a configuração familiar tradicional.

    A alternativa B erra ao afirmar que Angelita e Ana Clara são protagonistas e que ambas rompem com a configuração familiar tradicional de forma central. Embora sejam personagens importantes, a transformação social e o rompimento com o modelo familiar não são o eixo principal de suas trajetórias nos romances.

  3. C Em Caminho de pedras e em As meninas, a política (militância de esquerda) e a religião (internato de freiras) são instituições que, em vez de contribuírem para a revisão de valores morais e para a emancipação feminina, aprofundam os mecanismos de controle social sobre as mulheres.

    A alternativa C está errada porque, apesar de política e religião serem temas presentes, ambos os romances apresentam também possibilidades de revisão de valores e emancipação feminina, não apenas o aprofundamento do controle social. A análise é reducionista e não contempla a complexidade das obras.

  4. D Tanto Caminho de pedras quanto As meninas relacionam o exercício da política coletiva (militância de esquerda, luta contra a ditadura militar) à política exercida em nível da vida privada e do cotidiano, por meio da trajetória de personagens femininas que desafiam padrões sociais estabelecidos.

    A alternativa D está correta porque reconhece que tanto 'Caminho de pedras' quanto 'As meninas' articulam a militância política e a luta coletiva das mulheres com questões do cotidiano e da vida privada, mostrando personagens femininas que desafiam padrões sociais estabelecidos. Essa leitura está em consonância com a proposta das obras e com o contexto histórico-literário.

  5. E Tanto Caminho de pedras quanto As meninas exercem uma crítica à chamada “mulher burguesa”. O romance de Rachel de Queiroz narra os desdobramentos do desejo de ascensão social de Noemi, enquanto o de Lygia Fagundes Telles detalha o apego de Lorena à instituição do casamento.

    A alternativa E está incorreta porque exagera a crítica à 'mulher burguesa' e atribui à personagem Noemi, de 'Caminho de pedras', um desejo de ascensão social que não é o foco do romance. Da mesma forma, Lorena, em 'As meninas', não tem seu apego ao casamento como tema central da narrativa.

Flashcards

Perguntas pontuais sobre o tema desta questão. Toque no card para virar e use as setas para navegar.

1 / 7
1. O que foi o Estatuto da Mulher Casada de 1962?
Foi uma lei que retirou a obrigação da mulher casada de pedir autorização ao marido para trabalhar ou realizar atividades civis no Brasil.
2. Qual a importância da Constituição de 1934 para os direitos das mulheres no Brasil?
A Constituição de 1934 garantiu o direito ao voto feminino, um marco na cidadania das mulheres brasileiras.
3. Como a literatura pode contribuir para a discussão sobre direitos das mulheres?
A literatura pode problematizar papéis sociais, denunciar opressões e inspirar reflexões sobre emancipação e igualdade de gênero.
4. O que caracteriza a militância política feminina nas décadas de 1960 e 1970 no Brasil?
Caracteriza-se pela participação em movimentos feministas, lutas por direitos civis e enfrentamento à ditadura militar, articulando o público e o privado.
5. Qual a relação entre vida privada e política nas obras de Rachel de Queiroz e Lygia Fagundes Telles?
Ambas mostram como as escolhas e experiências privadas das personagens femininas estão ligadas a contextos políticos e sociais mais amplos.
6. O que significa romper com padrões sociais estabelecidos na literatura feminista?
Significa desafiar normas tradicionais de gênero, família e comportamento, propondo novos modos de ser mulher na sociedade.
7. Por que a Lei do Divórcio de 1977 foi importante para as mulheres brasileiras?
Porque permitiu a dissolução legal do casamento, ampliando a autonomia feminina e o direito à escolha sobre a própria vida conjugal.

FUVEST · 2026 · 1º Dia · Questão 12