Questão 1 — Pouco antes de eu completar quatro anos de idade, nasceu nossa irmã mais nova, para quem eu escolhera o nome de Maria Bethânia, por causa de uma bela…
FUVEST 2026 Questão 1
FácilPouco antes de eu completar quatro anos de idade, nasceu nossa irmã mais nova, para quem eu escolhera o nome de Maria Bethânia, por causa de uma bela valsa do compositor pernambucano Capiba. Naturalmente todos achavam graça no fato de eu saber cantar canções de gente grande, e mais ainda na minha determinação de nomear minha irmãzinha segundo uma dessas canções. Mas ninguém se sentia com coragem de realmente pôr esse nome “tão pesado” num bebê. Como havia várias outras sugestões (iam de Cristina a Gislaine), meu pai resolveu escrever todos os nomes em pedacinhos de papel que, depois de dobrados, ele jogou na copa de meu pequeno chapéu de explorador e me deu para tirar na sorte. Saiu o da minha escolha. Meu pai então pôs um ar resignado (que era uma ordem para que todos também se resignassem) e disse: “Pronto. Agora tem que ser Maria Bethânia”. E saiu para registrar a recém-nascida com esse nome. Recentemente, ouvi de minhas irmãs mais velhas uma versão que diz que meu pai escrevera Maria Bethânia em todos os papéis. Não é de todo improvável. E, de fato, na expressão resignada de meu pai era visível – ainda hoje o é, na lembrança – um intrigante toque de humor. Mas, embora me encha de orgulho o pensamento de que meu pai possa ter trapaceado para me agradar, eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio: essa intervenção do acaso parece conferir mais realidade a tudo o que veio a se passar desde então, pois ela faz crescerem ao mesmo tempo as magias (que nos dão a impressão de se excluírem mutuamente) do presságio e da unicidade absolutamente gratuita de cada acontecimento.
Caetano Veloso. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Adaptado.
Caetano Veloso revela sua posição a respeito do fato narrado no fragmento Mas, embora me encha de orgulho o pensamento de que meu pai possa ter trapaceado para me agradar, eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio. Assinale a alternativa em que a paráfrase do excerto mantém o mesmo sentido do texto original.
Resolução
Resposta correta: Letra E — Eu, contudo, sempre preferi crer na autenticidade do sorteio, ainda que me encha de orgulho o pensamento de que, a fim de me agradar, meu pai possa ter trapaceado.
Flashcards
Perguntas pontuais sobre o tema desta questão. Toque no card para virar e use as setas para navegar.
- 1. O que é uma paráfrase?
- Paráfrase é a reescrita de um texto ou trecho com outras palavras, mantendo o sentido original.
- 2. O que caracteriza uma estrutura concessiva em um texto?
- Estruturas concessivas expressam uma ideia de contraste ou oposição, geralmente usando conectivos como 'embora', 'ainda que', 'mesmo que'.
- 3. Por que é importante manter a ordem das ideias ao parafrasear?
- A ordem das ideias pode alterar o sentido e a relação entre as informações, mudando a intenção do autor.
- 4. O que significa interpretar o sentido global de um texto?
- Interpretar o sentido global é compreender o significado geral, incluindo intenções, relações e nuances do texto.
- 5. Como identificar o sentimento principal do narrador em um texto?
- O sentimento principal é identificado por palavras e expressões que revelam emoções, opiniões ou atitudes do narrador.
- 6. O que é um distrator em questões de interpretação?
- Distrator é uma alternativa incorreta, mas plausível, criada para confundir o candidato e testar sua atenção ao detalhe.
- 7. Qual a diferença entre afirmar e supor em um texto?
- Afirmar é declarar algo como certo; supor é considerar uma possibilidade, sem certeza.
Treino guiado
Detonando o Tema
Faça uma revisão completa do tema: o DIMVS cria uma sequência guiada com 3 questões complementares, do básico ao difícil, para você detonar o assunto de vez.
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