Reta Final ENEM

Globalização e Geopolítica

Reta Final ENEM · Aula 21 de 78 · Geografia

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Resumo da aula

Globalização e geopolítica no ENEM — tema em alta e com baixa taxa de acerto, embora as questões sejam conceituais: o que a prova quer é que você entenda a globalização como processo, como ela se manifesta no espaço e nas desigualdades, e como os países disputam poder. Memorizar datas importa pouco; ler o texto e identificar fluxo, interdependência, desigualdade e poder importa muito. Conceito — para David Harvey, globalização é a compressão espaço-tempo produzida pelas tecnologias de transporte e comunicação: as partes do mundo ficam mais próximas em fluxos de mercadorias, capitais, informações e pessoas. É a face espacial do capitalismo contemporâneo. Mas a integração é desigual: quanto mais renda (pessoa ou país), mais acesso ao mundo globalizado; a Zâmbia rural e a classe média urbana brasileira vivem globalizações diferentes. Fases — 1ª: Grandes Navegações (marco 1492) até ~1780, pacto colonial (colônia ligada só à metrópole). 2ª: capitalismo industrial e imperialismo na África e Ásia, até a Segunda Guerra. 3ª: pós-1945, com a Guerra Fria, TV via satélite, internet, aviões, transnacionais — a globalização atual, muitas vezes associada à Terceira Revolução Industrial. Ordens mundiais — antes de 1945, multipolaridade imperial; Guerra Fria, mundo bipolar (EUA × URSS), com descolonização; 1991, fim da URSS: abertura econômica, comércio internacional e mundo multipolar (EUA ainda hegemônicos, China com ~1,4 bi de habitantes e tecnologia própria, União Europeia como bloco, Japão, emergentes como Índia, Brasil, Rússia, Turquia, México, e potências regionais). Divisão Internacional do Trabalho (DIT) — na 2ª Revolução Industrial a indústria se concentrava perto do carvão, do ferro e do mercado consumidor; na 3ª, com transportes e comunicação eficientes e produção just in time, cada etapa vai para o lugar mais vantajoso. Norte global: design, pesquisa, know-how, alta tecnologia, sedes das empresas. Sul global: matérias-primas e commodities, agropecuária, etapas industriais de menor valor. Há exceções (a Embraer faz o Brasil o terceiro fabricante de aviões), mas a regra vale para a prova. Transnacionais e cadeias globais — empresas com sede em um país e produção, capitais e gestão espalhados pelo mundo (Google, Samsung, Apple): um celular é projetado na Coreia ou na Califórnia, com chips de Taiwan e dos EUA, minérios da África, montagem na China e transporte por navios de bandeira e tripulação de outros países. As fronteiras não somem, mas os Estados perdem parte do controle sobre esses fluxos, e quem fica de fora perde produtividade. Blocos econômicos — resposta ao mundo em que ninguém produz tudo (vantagens comparativas: faço o que faço bem e compro o resto). União Europeia (Benelux → CECA → Tratado de Roma → Maastricht, 1993): livre circulação de pessoas, mercadorias e capitais, cidadania comum, euro. Mercosul (Tratado de Assunção, 1991): Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai (+ Bolívia em adesão), união aduaneira com tarifa externa comum; clima tropical e temperado se complementam. USMCA (ex-NAFTA): EUA, Canadá e México. Blocos reduzem tarifas e ampliam mercados, mas não eliminam a soberania. Fluxos e problemas — capitais, mercadorias, informações, pessoas e tecnologia circulam; quanto mais inserido, mais conectado. Efeitos negativos: exclusão digital, concentração de renda (os ricos crescem mais), dependência tecnológica (poucos países criam o que todos usam), desemprego estrutural e precarização do trabalho. A globalização financeira torna os países interdependentes: crise em um vira crise em vários, em tempo real. Geopolítica — relações de poder entre Estados. Disputas por tecnologia (semicondutores, IA, minerais críticos: controlar uma etapa da cadeia é instrumento de poder), por petróleo, por água (Jordão, Indo, Turquia sobre Síria e Iraque), por rotas comerciais (Houthis no Mar Vermelho) e por influência econômica. Todo conflito tem um pano de fundo material. Pegadinhas — globalização não é fim das fronteiras (elas se ressignificam: abertas a capitais e informações, fechadas a pessoas); blocos não eliminam soberania; emergentes estão no mercado global, mas com desigualdades internas; globalização aumenta a velocidade e a interdependência, não as reduz; desigualdade não desaparece — tende a crescer.