Reta Final ENEM

Primeira República (1889–1930)

Reta Final ENEM · Aula 76 de 78 · História

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Resumo da aula

Primeira República no ENEM — caiu cinco vezes nas últimas edições (2025, 2024 ×2, 2022 ×2). Ângulos preferidos: revoltas populares (Vacina, Chibata, Canudos, Contestado), memória e construção de heróis (Tiradentes, bandeirantes), políticas sanitaristas e reformas urbanas, exclusão social e coronelismo. Leia o texto procurando "quem está excluído" e "que memória o Estado quer construir". Recorte — de 1889 (proclamação da República: golpe militar que depõe D. Pedro II) a 1930 (Revolução/golpe de 30, que leva Vargas ao poder). Um período entre dois golpes, dividido em República da Espada (1889–1894, marechais Deodoro e Floriano) e República Oligárquica ou do Café com Leite (1894–1930). Governo provisório de Deodoro (1889–1891) — governa por decreto; primeira bandeira republicana; separação Igreja–Estado (Estado laico) e liberdade religiosa; Encilhamento: Rui Barbosa emite papel-moeda para financiar a indústria, surgem empresas fantasmas, inflação e crise financeira. Constituição de 1891 — promulgada (a de 1824 fora outorgada); república federalista (autonomia dos estados) e presidencialista; voto direto, masculino, maiores de 21 anos, alfabetizados — excluídos mulheres, analfabetos, soldados e mendigos; voto ABERTO ("a descoberto"), que permite o voto de cabresto. Constituinte eleita por voto censitário: proprietários criaram uma carta que garantia o poder das próprias elites. República da Espada — Deodoro fecha o Congresso e renuncia sob pressão da 1ª Revolta da Armada (Custódio de Melo, 1891). Floriano Peixoto, apoiado pelo PRP e pelo Exército, fica no lugar sem novas eleições ("Marechal de Ferro"), derrota a 2ª Revolta da Armada e a Revolução Federalista (RS→PR) e passa o poder ao primeiro presidente civil, Prudente de Morais (1894). República Oligárquica — poder das oligarquias agrárias estaduais. Política dos Governadores (Campos Sales): o presidente apoia os governadores, que garantem bancadas fiéis; coronelismo: o coronel local controla os votos (voto de cabresto, currais eleitorais) e troca favores com governadores e presidente (clientelismo). Café com leite: alternância entre PRP (São Paulo, o estado mais rico, do café) e PRM (Minas, o mais populoso) na presidência. República "para poucos": modernização das cidades e fábricas com exclusão dos pobres e dos negros (a abolição de 1888 não veio com inclusão; as fábricas preferiam imigrantes). "Questão social é caso de polícia". Revoltas urbanas (Rio de Janeiro) — Revolta da Vacina (1904): governo Rodrigues Alves, Oswaldo Cruz impõe a vacinação obrigatória contra a varíola enquanto o prefeito Pereira Passos demole cortiços ("bota-abaixo"), empurrando os pobres para os morros (origem das favelas); a revolta é popular, defensiva e desorganizada, contra o arbítrio do Estado, sem projeto de poder. Revolta da Chibata (1910): marinheiros, em maioria negros, liderados por João Cândido, contra os castigos corporais e as péssimas condições da Marinha. Revoltas rurais — Canudos (1896–1897, sertão da Bahia): Antônio Conselheiro, líder messiânico, acolhe sertanejos miseráveis no Arraial de Belo Monte; a República o vê como ameaça monarquista e destrói o arraial na 4ª expedição; Euclides da Cunha denuncia o massacre em Os Sertões. Contestado (1912–1916, PR/SC): camponeses expulsos pela ferrovia e por madeireiras, liderados por monges, formam a "Monarquia Celeste" e são esmagados pelo Exército. Cangaço no Nordeste. Traço comum: pobres excluídos por uma modernização que os expulsa. Anos 1920: lutas por direitos — Greve Geral de 1917 (anarcossindicalistas imigrantes, jornadas de 12–16 h, mulheres e crianças com meio salário); Semana de Arte Moderna (1922); Tenentismo (Forte de Copacabana 1922, revoltas de 1924, Coluna Prestes 1925–27): jovens oficiais contra o voto de cabresto, por moralização e voto secreto. Fim (1929–1930) — a crise de 1929 derruba o preço do café; Washington Luís rompe o acordo e indica outro paulista, Júlio Prestes; Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba formam a Aliança Liberal com Getúlio Vargas e João Pessoa; Júlio Prestes vence uma eleição fraudada, João Pessoa é assassinado e a Revolução de 1930 (tenentes, oligarquias dissidentes, classes urbanas) depõe Washington Luís: fim da Primeira República. Memória e heróis — a República constrói seus símbolos: Tiradentes vira mártir cívico com traços religiosos (Machado de Assis: "pagou por todos"); São Paulo enaltece os bandeirantes no Museu Paulista (1903) para afirmar sua centralidade na história nacional. Questões de memória perguntam sempre "quem escolhe o que lembrar e por quê". Pegadinhas — voto aberto ≠ secreto (o secreto vem em 1932); federalismo fortalece os estados (base do coronelismo); Revolta da Vacina questiona o autoritarismo, não a ciência; Canudos e Contestado são messiânicos e rurais, Vacina e Chibata são urbanas; 1930 é golpe E revolução; Encilhamento é crise financeira do início da República.