Reta Final ENEM

Filosofia Medieval: Fé e Razão (Agostinho e Tomás de Aquino)

Reta Final ENEM · Aula 25 de 78 · Filosofia

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Resumo da aula

Filosofia medieval no ENEM — aparece menos que outros temas, mas quando cai é sempre pela relação entre fé e razão e pela forma como o conhecimento era produzido (patrística, escolástica, universidades), nunca por questões confessionais. Dois nomes: Santo Agostinho (Platão) e Tomás de Aquino (Aristóteles). Contexto — do helenismo (Alexandre) ao domínio romano; na Galileia surge Jesus, hebreu que prega amor, perdão e paz, sem deixar nada escrito. O cristianismo primitivo é perseguido por ~300 anos até Constantino; nesse processo definem-se dogmas, instituição e textos oficiais (cânon). Patrística (séc. I–VIII) — os "padres" da Igreja defendem a fé contra pagãos e hereges, constroem a identidade cristã e selecionam os textos canônicos. Grande nome: Santo Agostinho de Hipona (354–430), leitor de Platão. Fé e razão: "creio para compreender" — a fé vem primeiro e conduz; a razão auxilia, aprofunda e confirma o que a fé revelou. Conhecimento: já está dentro de nós e é iluminado por Deus (teoria da iluminação — o Platão das ideias lido com olhos cristãos; conhecimento voltado à interioridade). O problema do mal: se Deus, sumo bem, criou tudo bom, de onde vem o mal? Resposta: Deus não criou o mal; deu ao homem o livre-arbítrio, e o mal é a privação/ausência do bem, o afastamento de Deus por escolha humana (como o escuro é ausência de luz). O mal não é uma força nem uma criação. Escolástica (séc. IX–XV) — Igreja consolidada e dominante no mundo feudal; surgem ordens religiosas (beneditinos, franciscanos, dominicanos), mosteiros e as universidades; ao mesmo tempo, Inquisição e venda de indulgências. Os textos de Aristóteles, preservados e traduzidos pelos árabes, voltam à Europa. Grande nome: Tomás de Aquino (1225–1274). Fé e razão são compatíveis: a razão, de forma independente, alcança verdades (inclusive sobre Deus); outras dependem da revelação; como ambas vêm da mesma verdade, não se contradizem — complementaridade. As "cinco vias" são provas racionais da existência de Deus (ex.: a via da causa: toda cadeia de causas exige uma causa primeira não causada). O ENEM não cobra cada via, mas a ideia de que Deus pode ser demonstrado racionalmente. Comparação — Agostinho: patrística, Platão, fé acima da razão, interioridade e iluminação. Tomás: escolástica, Aristóteles, razão valorizada, observação da natureza, filosofia e teologia compatíveis. Como cai — diálogo ciência × religião, tolerância e diversidade religiosa, papel das universidades, construção histórica do conhecimento; textos de comentadores pedindo para identificar o autor ou a concepção de verdade. Pegadinhas — filosofia medieval não é ausência de racionalidade; Agostinho ← Platão, Tomás ← Aristóteles; Tomás não vê fé e razão como incompatíveis; escolástica = argumentação lógica aplicada à teologia (articular razão e fé, não substituir uma pela outra); o mal, em Agostinho, é ausência de bem, fruto do livre-arbítrio.