Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

Questão 9 — De próprio punho A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda que vai do simples bilhete aos originais de um livro 1…

ENEM 2025 Questão 9

Fácil

De próprio punho A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda que vai do simples bilhete aos originais de um livro 1 Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão “de próprio punho”. Parecia 2 que eu ia bater em alguém. Não era bem o caso. Foi numa situação bancária, dessas bem 3 burocráticas, e eu devia escrever algo bem breve, mas com minhas mãos. Na verdade, 4 o que importava era a autenticidade da minha caligrafia, que à época ainda era mais 5 fluente e firme. Depois dos teclados de computador, ela rateia bastante. Minha letra, 6 hoje, tem uma espécie de alternância: dia sim, dia não, trêmula e firme, forte e fraca, 7 mais rotunda e mais cheia de arestas. 8 É claro que já escrevi muito mais de próprio punho ou, numa palavra mais bonita, 9 manuscrevi (prefiro a mão ao punho, embora ele também seja usado na tarefa). Mas isso 10 não é um feito individual. Em larga medida, é social. Muita gente sente o mesmo que 11 eu, isto é, escreve bem menos usando as mãos, ou melhor, empregando algum tipo de 12 tecnologia (lápis, caneta etc.) para escrever com grafite ou tinta ou giz ou carvão ou 13 sangue e o que mais. É importante lembrar que ainda há gente que não sabe escrever 14 neste país, neste planeta, mas muita gente sabe e tem um combo de tecnologias mais 15 ou menos à disposição para isso. Sou dessas pessoas privileges que têm várias 16 possibilidades, e uma delas nunca deixou de ser o uso das minhas mãos. Ainda hoje, 17 são elas que batucam meu teclado de computador ou que tocam suavemente duas ou 18 três telas sensíveis. Mas não expressam mais a minha letra. No lugar, aparecem Times 19 New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de “letras” à minha escolha. Eu e Deus 20 e o mundo. 21 A despeito desse rol de chances e ferramentas para escrever, o manuscrito nunca 22 deixou de pintar aqui e ali, muitas vezes como obrigação. Na escola, por exemplo, até 23 hoje ele é soberano. No Enem também. Curioso, não? Fico pensando em que espaços 24 e ocasiões ainda uso minha letra. Olhando ao redor, na minha casa, minha letra está 25 em espaços muito delimitados e específicos: bilhetes. Eles estão principalmente na 26 cozinha, em especial na porta da geladeira, a fim de manter a comunicação com meus 27 coabitantes, sempre muito esquecidos ou relapsos. Mas também há bilhetes em post its 28 na minha mesa do escritório, textinhos em garranchos por meio dos quais me comunico 29 comigo mesma, a evitar um comportamento esquecido e relapso. 30 No escritório, costumo ser mais suave comigo mesma, mas também muito mais 31 lacônica, a ponto de nem eu me entender, se passar o tempo. Em todos os casos vai 32 minha letra, menos e mais redonda, a lápis e a tinta azul, em post its rosa-choque, colados 33 precariamente, e todos com destino à lixeira, em breve. Justo porque eles funcionam 34 como lembretes de tarefas e coisas que devem ser vencidas e, claro, substituídas por 35 outras, num fluxo infinito, às vezes ansiogênico, com que a maioria dos adultos (e mais 36 ainda as adultas) precisa conviver. 37 As formas de escrever mudam, as necessidades também, e o resultado é um elenco 38 complexo, em que nada dispensa nada, a depender da tarefa ou da importância das coisas 39 ou de suas funções, claro. A escrita e suas tecnologias incríveis vão se reposicionando, 40 mudando de status, numa ciranda interessante e importante que pode ser vista à luz de 41 certa diversidade que encontra suas oportunidades e seus efeitos, aqui e ali. Não adianta 42 muito pensar sempre como se tudo fosse excludente. Estão aí minha farta comunicação 43 por bilhetes, minha gaveta alegre de post its de toda cor, esperando para serem usados, 44 e o cheque do cartório, em que quase tudo já é digital. “Do punho ao pixel” não é uma 45 frase filosoficamente correta. O negócio é mais “o punho e o pixel”.

RIBEIRO, A. E. Disponível em: https://rascunho.com.br. Acesso em: 16 jan. 2024 (adaptado).

A autora conclui que as novas tecnologias de escrita

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Resolução

Resposta correta: Letra C — coexistem com outras já estabelecidas.

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A questão aborda a relação entre as diferentes tecnologias de escrita ao longo do tempo, destacando como o manuscrito e as formas digitais coexistem na vida cotidiana. O texto reflete sobre a experiência pessoal da autora com a escrita manual e digital, mostrando que, apesar do avanço tecnológico, o manuscrito ainda é utilizado em situações específicas, como bilhetes e provas. O conceito central é a coexistência e não a substituição: as novas tecnologias não eliminam as anteriores, mas se somam a elas, cada uma adequada a diferentes contextos e necessidades. O raciocínio para chegar à alternativa correta envolve identificar, no texto, a ideia de que o manuscrito e o digital convivem, e que a autora valoriza essa diversidade de meios, rejeitando a ideia de exclusão entre eles.

Comentários por alternativa

  1. A evoluem para facilitar a vida cotidiana.
    A alternativa A está errada porque, embora as tecnologias possam facilitar a vida, o foco do texto não é a facilitação, mas sim a coexistência entre diferentes formas de escrita.
  2. B alcançam diferentes realidades sociais.
    A alternativa B está incorreta pois o texto não enfatiza o alcance das tecnologias em diferentes realidades sociais, mas sim como elas convivem no cotidiano do indivíduo.
  3. C coexistem com outras já estabelecidas.
    A alternativa C está correta porque o texto mostra que as novas tecnologias de escrita coexistem com as antigas, como o manuscrito, dependendo do contexto e da função, sem que uma exclua a outra.
  4. D promovem maior agilidade na comunicação.
    A alternativa D está errada porque, apesar de a tecnologia digital poder promover agilidade, o texto não destaca esse aspecto como conclusão principal.
  5. E surgem nos contextos em que são necessárias.
    A alternativa E está incorreta, pois o texto não afirma que as tecnologias surgem apenas quando necessárias, mas sim que elas coexistem e são escolhidas conforme a situação.

Flashcards

Perguntas pontuais sobre o tema desta questão. Toque no card para virar e use as setas para navegar.

1 / 7
1. O que significa coexistência de tecnologias de escrita?
É a presença e uso simultâneo de diferentes formas de escrita, como manuscrita e digital, sem que uma elimine a outra.
2. Qual é a principal ideia defendida pela autora sobre as tecnologias de escrita?
A autora defende que as tecnologias de escrita coexistem e se complementam, sendo utilizadas conforme o contexto.
3. Como o texto exemplifica o uso do manuscrito na vida cotidiana?
O texto cita bilhetes na geladeira, post-its e provas como exemplos de uso do manuscrito.
4. Por que a expressão 'do punho ao pixel' é considerada inadequada pela autora?
Porque sugere uma substituição total do manuscrito pelo digital, enquanto na prática ambos coexistem.
5. O que caracteriza uma tecnologia de escrita?
É qualquer meio ou instrumento que possibilite registrar informações, como lápis, caneta, teclado ou tela sensível.
6. Por que o manuscrito ainda é importante em alguns contextos?
Porque em situações como provas e bilhetes pessoais, a escrita manual ainda é valorizada e necessária.
7. Como a diversidade de tecnologias de escrita impacta a comunicação?
Permite que as pessoas escolham o meio mais adequado para cada situação, ampliando as possibilidades de expressão.

Treino guiado

Detonando o Tema

O DIMVS vai preparar 3 perguntas sobre o mesmo tema desta questão: uma fácil, uma média e uma difícil.

1. Comece pelo fácil 2. Suba para o médio 3. Feche no difícil

Ao responder, você vê a resolução, comentários das alternativas e flashcards. No fim, o resultado mostra seu domínio do tema.