Tema nº 1 de História no ENEM

Brasil Colônia

Brasil Colônia é o período mais cobrado de História: pacto colonial, escravidão e resistência, ciclo do açúcar, ouro e revoltas aparecem em todas as edições.

Aula em vídeo — Brasil Colônia

Resumo da aula

Brasil Colônia — de 1530, a expedição de Martim Afonso, até 1822, a independência. Tema muito recorrente no ENEM, com duas questões só na edição de 2025.

Período pré-colonial (1500–1530) — o Brasil servia apenas de ponto de parada. Os portugueses trocavam quinquilharias por madeira pau-brasil com os ameríndios, no escambo, e mantinham só feitorias e fortificações no litoral. Não havia estrutura colonial.

Capitanias hereditárias (1530–1549) — modelo DESCENTRALIZADO: o rei divide o território em 15 lotes entregues a 12 donatários, no regime de sesmarias (tornar a terra útil). Só duas prosperaram — São Vicente, de Martim Afonso, e Pernambuco, de Duarte Coelho —, ambas com açúcar. O sistema fracassou.

Governo-Geral (a partir de 1549) — modelo CENTRALIZADO: o governador-geral representa o rei em solo brasileiro, arrecada impostos, distribui terras e administra a colônia. Com Tomé de Sousa chegam os jesuítas, ordem da Contrarreforma fundada por Inácio de Loyola, e é fundada Salvador, a primeira capital, escolhida por ficar no centro do litoral produtor. Os cargos locais ficavam com os "homens bons": capitão-mor (defesa), ouvidor-mor (justiça) e provedor-mor (administração).

Pacto colonial — a colônia fornece matérias-primas (açúcar, metais, gêneros tropicais) e a metrópole fornece manufaturados e mão de obra escravizada, com monopólio do comércio.

Ciclo do açúcar (séculos XVI–XVII) — o macete é "o açúcar é doce como o MEL": Monocultura, Mão de obra escravizada e Latifúndio, o sistema de plantation. Sociedade estamental e patriarcal, em que o nascimento define o lugar social e não há mobilidade. Entre os extremos ficam os trabalhadores livres — mestiços, filhos de portugueses com indígenas e africanos —, que trabalham mas não têm acesso à terra.

Escravidão e resistência — os portugueses não criaram a escravidão, que já existia na África, mas a transformaram em comércio intercontinental. A resistência foi permanente: fugas e quilombos, suicídios, infanticídio e o sincretismo religioso, como a umbanda, que preservava elementos africanos sob aparência cristã. A Igreja tratava o indígena como alma a catequizar e o africano como coisa — justificativa usada até para os maus-tratos.

União Ibérica (1580–1640) — com a morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir, sem herdeiro, Filipe II da Espanha assume Portugal. Duas grandes consequências: as invasões holandesas e a expansão territorial.

Invasões holandesas — inimigos da Espanha, os holandeses atacam Salvador (1624) e depois Pernambuco, onde ficam 24 anos sob Maurício de Nassau, aperfeiçoando a produção. Expulsos em 1654, levam a técnica para as Antilhas e passam a produzir açúcar melhor e mais barato — daí a CRISE do ciclo açucareiro.

Expansão territorial — sem sentido em manter o Tratado de Tordesilhas com tudo sob a mesma coroa, quatro fatores empurram as fronteiras: a pecuária (Sul), as drogas do sertão (Norte — cacau, canela, castanha, baunilha), as bandeiras (de apresamento, de prospecção mineral e de sertanismo de contrato) e as missões jesuíticas. O Tratado de Madri consolida o mapa que conhecemos.

Ciclo do ouro (século XVIII) — o ouro achado em Minas Gerais por volta de 1702 gera interiorização, leve mobilidade social, urbanização e comércio interno; no governo do Marquês de Pombal a capital muda de Salvador para o Rio de Janeiro. A carga tributária — quinto, derrama, capitação, fintas — sufoca os mineradores.

Revoltas — nativistas (Beckman, Emboabas, Guerra dos Mascates, Felipe dos Santos), por disputa de mercado com os portugueses; e emancipacionistas (Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana), pela carga tributária da Era Pombalina — a Baiana mais radical, por querer também o fim da escravidão. A Revolução Pernambucana de 1817 responde aos impostos do Período Joanino (1808–1820).

Questões comentadas

3 questões · respostas não são salvas

ENEM 2020

O movimento sedicioso ocorrido na capitania de Pernambuco, no ano 1817, foi analisado de formas diferentes por dois meios de comunicação daquela época. O Correio Braziliense apontou para o fato de ser “a comoção no Brasil motivada por um descontentamento geral, e não por maquinações de alguns indivíduos”. Já a Gazeta do Rio de Janeiro considerou o movimento como um “pontual desvio de norma, apenas uma ‘mancha’ nas ‘páginas da História Portuguesa’, tão distinta pelos testemunhos de amor e respeito que os vassalos desta nação consagram ao seu soberano”.
JANCSÓ, I; PIMENTA, J. P. Peças de um mosaico. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, 2000 (adaptado).
Os fragmentos das matérias jornalísticas sobre o acontecimento, embora com percepções diversas, relacionam-se a um aspecto do processo de independência da colônia luso-americana expresso em dissensões entre
  1. A Quadros dirigentes em torno da abolição da ordem escravocrata.
  2. B Grupos regionais acerca da configuração político-territorial.
  3. C Intelectuais laicos acerca da revogação do domínio eclesiástico.
  4. D Homens livres em torno da extensão do direito de voto.
  5. E Elites locais acerca da ordenação do monopólio fundiário.

ENEM 2020

Porque todos confessamos não se poder viver sem alguns escravos, que busquem a lenha e a água, e façam cada dia o pão que se come, e outros serviços que não são possíveis poderem-se fazer pelos Irmãos Jesuítas, máxime sendo tão poucos, que seria necessário deixar as confissões e tudo mais. Parece-me que a Companhia de Jesus deve ter e adquirir escravos, justamente, por meios que as Constituições permitem, quando puder para nossos colégios e casas de meninos.
LEITE, S. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1938 (adaptado).
O texto explicita premissas da expansão ultramarina portuguesa ao buscar justificar a
  1. A Propagação do ideário cristão.
  2. B Valorização do trabalho braçal.
  3. C Adoção do cativeiro na Colônia.
  4. D Adesão ao ascetismo contemplativo.
  5. E Alfabetização dos indígenas nas Missões.

ENEM 2016

A linhagem dos primeiros críticos ambientais brasileiros não praticou o elogio laudatório da beleza e da grandeza do meio natural brasileiro. O meio natural foi elogiado por sua riqueza e potencial econômico, sendo sua destruição interpretada como um signo de atraso, ignorância e falta de cuidado.
PADUA, J. A. Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista (1786-1888). Rio de Janeiro:Zahar, 2002 (adaptado).
Descrevendo a posição dos críticos ambientais brasileiros dos séculos XVIII e XIX, o autor demonstra que, via de regra, eles viam o meio natural como
  1. A Ferramenta essencial para o avanço da nação.
  2. B Dádiva divina para o desenvolvimento industrial.
  3. C Paisagem privilegiada para a valorização fundiária.
  4. D Limitação topográfica para a promoção da urbanização.
  5. E Obstáculo climático para o estabelecimento da civilização.

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Os 10 temas que mais caem em História no ENEM

Ciências Humanas
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    Brasil Colônia

    pacto colonial, escravidão e resistência, açúcar, ouro e revoltas

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Perguntas frequentes

Qual é o tema que mais cai em História no ENEM?

Brasil Colônia. Brasil Colônia é o período mais cobrado de História: pacto colonial, escravidão e resistência, ciclo do açúcar, ouro e revoltas aparecem em todas as edições. Os outros temas mais frequentes são Era Vargas, Ditadura Militar, Brasil Império.

Quais são os 10 temas que mais caem em História no ENEM?

1º Brasil Colônia; 2º Era Vargas; 3º Ditadura Militar; 4º Brasil Império; 5º Primeira República; 6º Idade Média; 7º Idade Moderna; 8º Idade Contemporânea; 9º Antiguidade e Pré-História; 10º Patrimônio, memória e historiografia.

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